Diretor que criticou Infantino publicamente após projeto de venda de ações deixa a Fifa


O diretor de operações da Fifa Kevin Lamour deixou o cargo nesta segunda-feira. A entidade confirmou sua saída ao site The Athletic, que pertence ao jornal americano New York Times.

“A Fifa confirma que a relação de trabalho entre Kevin Lamour e a Fifa como chefe de operações se encerrou em 17 de agosto de 2026”, escreveu um porta voz da confederação ao The Athletic.

A saída de Lamour ocorre 17 dias depois de suas críticas públicas à fracassada proposta de Infantino de abrir a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária que seria resposnável pelas competições da entidade, e vender suas ações a investidores financeiros. À agência de notícia AP, o executivo havia chamado a empreitada de “projeto de uma pessoa só” e que os funcionários haviam sido enganados.

“É o projeto de uma pessoa só. Este projeto não apenas não pode seguir adiante, como chegou a hora de os líderes políticos do futebol fazerem as perguntas certas e tomarem as decisões corretas”, afirmou Lamour na ocasião, que prosseguiu dizendo-se preparado para as consequências:

“Se isso significar que vou perder meu trabalho, que assim seja. Vou entender e respeitar essa decisão. Pelo menos dormirei bem esta noite”.

Por e-mail, o secretário-geral da Fifa Mattias Grafstrom comunicou os funcionários da saída do diretor de operações. O dirigente, que assim como Lamour também criticou o projeto de Infantino publicamente, agradeceu ao ex-colega de trabalho pelos serviços prestados.

Lamour é 2º funcionário a deixar a Fifa em meio à crise

As declarações públicas de Lamour representaram mais um capítulo de uma crise que jogou forte pressão sobre Infantino e dura até hoje. Naquele mesmo dia, o então assessor sênior de Infantino Carlos Cordeiro renunciou ao cargo em protesto contra o plano da FFE.

Como resposta à crise, Infantino convocou uma reunião de emergência com o alto escalão da Fifa, em Rabat, no Marrocos, no último dia 5. Após o encontro, a entidade afirmou que enviou uma carta às 211 federações membro desculpando-se pelo projeto da FFE e anunciou que “não irá mais tolerar ataques à sua integridade, governança e processos e tomará as medidas necessárias para proteger seu nome e reputação”.

A mensagem foi entendida como uma ameaça, mas não cessou a oposição. Ela vem principalmente da Uefa (confederação europeia), da Concacaf (Américas do Norte e Central) e da AFC (Ásia). Por outro lado, Infantino segue recebendo apoios públicos individuais de federações sul-americanas, africanas e asiáticas.

A tendência é que este cenário de racha se mantenha até a eleição presidencial da Fifa, prevista para março de 2027. Há dez anos no poder, Infantino tentará a reeleição.



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