Entre solidariedade e disputa entre Uefa e Fifa, árbitro somali vetado da Copa apitará Supercopa da Europa


Paris Saint-Germain e Aston Villa fazem hoje a abertura oficial da temporada 2026/27 do futebol europeu com a disputa da Supercopa da Uefa. Só que o encontro entre os atuais campeões da Champions League e da Liga Europa terá um protagonista que vai além dos campos. Após ter sido barrado da Copa do Mundo por conta do visto de entrada nos EUA, o árbitro Omar Artan, da Somália, conduzirá a decisão, que se inicia às 16h (de Brasília) em Salzburgo, na Áustria.

O profissional de 34 anos se tornará o primeiro não-europeu na história a apitar a competição. Polêmica deixada de lado, a trajetória de Artan mostra um jovem árbitro de ascensão meteórica. Ele foi selecionado para o Mundial após ter sido o primeiro somali a conduzir a final da Liga dos Campeões da África, na temporada 2024/25, e ter sido eleito o melhor árbitro do continente no último ano.

Porém, ao desembarcar em Miami para a Copa, ganhou os holofotes por sua entrada negada pelos EUA. O Departamento de Estado do país justificou a recusa explicando que o árbitro estava “ligado a indivíduos suspeitos de pertencer a organizações terroristas”. A acusação foi negada por Artan e gerou indignação geral em meio a uma onda de críticas ao presidente americano Donald Trump.

Conhecida opositora de Gianni Infantino, presidente da Fifa, a Uefa logo anunciou que o árbitro somali apitaria a Supercopa. O gesto mistura a solidariedade com a rixa política entre as organizações. Recentemente, a entidade europeia entrou definitivamente em rota de colisão, por conta do plano fracassado do órgão máximo do futebol mundial de vender uma fatia da Copa do Mundo a investidores privados.

Para Omar Artan, que nada tem a ver com a disputa, será a realização de um sonho.

— Foi um período muito difícil. Muitas pessoas simpatizaram comigo, porque, quando alguém trabalha por muitos anos para fazer algo, e de repente não pode realizar, é muito difícil — declarou o árbitro em entrevista ao site da Uefa. — Acredito que, se eu consegui, qualquer um consegue. Você pode fazer o que quiser. Nunca pare de sonhar.

Para justificar a decisão de convidar Artan, a Uefa destacou o protocolo que assinou no final de abril com a Confederação Africana de Futebol (CAF) para promover a cooperação entre as duas entidades.

— Tive sorte, mas trabalhei muito para chegar aqui e estou realmente orgulhoso — reforçou o árbitro — Viver aventuras, criar memórias e aprender coisas novas é sempre maravilhoso.



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