Você paga as contas antes do vencimento, devolve o carrinho do supermercado, separa corretamente o lixo e jamais fura uma fila? Xiiiii…
Pois saiba que toda essa responsabilidade pode estar interferindo até nas suas fantasias sexuais.
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Um estudo publicado neste ano analisou mais de 5 mil adultos e encontrou uma relação entre alguns traços de personalidade e a quantidade e a variedade de fantasias sexuais.
De acordo com os pesquisadores, pessoas muito responsáveis, respeitosas e preocupadas em fazer tudo corretamente relataram menos fantasias.
Pelo visto, algumas pessoas não conseguem nem fantasiar sem antes consultar o regulamento.
Os certinhos fantasiam menos?
Os participantes responderam a perguntas sobre personalidade e diferentes tipos de fantasias: românticas, exploratórias, impessoais e envolvendo práticas menos convencionais.
Pessoas com níveis elevados de responsabilidade e amabilidade relataram menor frequência e variedade de fantasias. Isso apareceu especialmente entre quem demonstrava muito respeito pelas regras e forte preocupação em cumprir suas obrigações.
Não significa que toda pessoa organizada tenha uma vida imaginária completamente vazia.
Aquela vizinha exemplar, que varre a calçada às seis da manhã, pode guardar histórias capazes de deixar a rua inteira de cabelos em pé, incluindo os carecas. Pesquisa mostra tendências, não fornece acesso à cabeça de ninguém, felizmente.
Também não quer dizer que pessoas cheias de fantasias sejam irresponsáveis, desonestas ou estejam prestes a cometer alguma loucura. Uma coisa é o que passa pela imaginação. Outra é o que fazemos quando saímos dela e precisamos conviver em sociedade.
Fantasia não é confissão
A mente humana produz pensamentos estranhos o tempo todo, temos que conviver com os nossos pensamentos e os pensamentos intrusivos, permeando a nossa mente de forma absolutamente aleatória.
Você pode imaginar que discutiu com o chefe, abandonou tudo e foi morar numa ilha. Isso não significa que amanhã amanhecerá no aeroporto carregando apenas um biquíni e um coco.
Com as fantasias sexuais acontece o mesmo.
Uma pessoa pode se imaginar com alguém famoso, com um desconhecido, em grupo ou numa situação completamente diferente de sua realidade. Isso não significa que queira transformar aquela cena em um compromisso para sábado à noite.
Muitas fantasias funcionam justamente porque estão protegidas dentro da imaginação. Ali não existem consequências, explicações, roupa espalhada nem alguém perguntando:
-E agora, como é mesmo que faz?
Quando trazida para a vida real, a mesma fantasia pode perder toda a graça.
Portanto, fantasiar não é trair, prometer nem elaborar um projeto. A cabeça não precisa pedir autorização ao cartório.
Precisamos contar tudo ao parceiro?
Não necessariamente.
Cada pessoa tem direito a uma parte privada de sua imaginação. Um relacionamento não transforma ninguém em fiscal dos pensamentos do outro.
Contar uma fantasia pode ser interessante quando existe confiança e quando ela pode aproximar o casal. Algumas pessoas descobrem desejos em comum e até melhoram a vida sexual ao conversar sobre o assunto.
Mas é importante escolher bem o momento.
Talvez não seja uma boa ideia revelar, durante o almoço de domingo, que sua fantasia envolve alguém muito parecido com o cunhado sentado do outro lado da mesa.
Também é preciso considerar a reação do parceiro. Algumas pessoas conseguem ouvir com curiosidade. Outras recebem a informação como se tivessem encontrado provas de um crime ou certificado de incapacidade.
Antes de contar, vale se perguntar: desejo apenas compartilhar ou estou esperando que a fantasia seja realizada?
Toda fantasia deve ser realizada?
Não.
Algumas podem ser experimentadas com segurança, consentimento e vontade dos envolvidos. Outras devem continuar exatamente onde nasceram: dentro da cabeça.
O fato de uma fantasia provocar excitação não significa que funcionaria na vida real. Há situações imaginárias que seriam desconfortáveis, perigosas ou simplesmente ridículas se saíssem do pensamento.
A fantasia também pode ser adaptada. O casal não precisa reproduzir todos os detalhes. Pode aproveitar apenas uma roupa, um ambiente, uma brincadeira ou a ideia central.
Fantasiar faz mal?
Na maioria dos casos, não. Fantasias fazem parte da sexualidade e podem ajudar a pessoa a reconhecer desejos, despertar excitação e fugir um pouco da rotina.
Elas merecem atenção quando provocam sofrimento, tornam-se incontroláveis ou envolvem situações ilegais e sem consentimento. Nesse caso, procurar ajuda profissional pode ser necessário.
Fora dessas situações, não há motivo para preocupação e nem culpa.
A pesquisa pode sugerir que os muito certinhos fantasiam menos. Mas não devemos sair desconfiando de toda pessoa desorganizada.
Uma gaveta cheia de meias sem par ainda não é prova de uma vida sexual movimentada, como a da vizinha que varre a rua as seis horas da manhã…
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