Nem toda alteração ginecológica significa câncer. No entanto, mudanças persistentes como sangramento fora do período menstrual, dor durante as relações sexuais, inchaço abdominal frequente e alterações urinárias no funcionamento do corpo devem ser investigadas.
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Sintomas muitas vezes atribuídos ao estresse, à menopausa ou a desequilíbrios hormonais também podem indicar tumores ginecológicos.
Esses cânceres, conhecidos como ginecológicos, podem atingir o colo do útero, os ovários, o endométrio, a vulva e a vagina.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar anualmente cerca de 17 mil novos casos de câncer do colo do útero, o terceiro tumor mais frequente entre as mulheres, desconsiderando o câncer de pele não melanoma.
As estimativas também apontam aproximadamente 7,3 mil casos de câncer de ovário e 7,8 mil de câncer do corpo do útero por ano.
Segundo o oncologista clínico João Soares Nunes, do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), um dos principais desafios é que muitos desses tumores apresentam sintomas discretos nas fases iniciais.
“As mulheres conhecem bem o próprio corpo e costumam perceber quando algo está diferente. O problema é que, muitas vezes, adiam a consulta acreditando que os sintomas desaparecerão. No câncer ginecológico, essa espera pode influenciar o estágio da doença no momento do diagnóstico”, afirma.
Prevenção e diagnóstico precoce
O câncer do colo do útero está entre os tumores ginecológicos com maior potencial de prevenção. A vacinação contra o HPV, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e a realização periódica do exame preventivo, conhecido como Papanicolau, permitem identificar lesões antes que se transformem em câncer.
Já o câncer de endométrio costuma apresentar um sinal importante nas fases iniciais: o sangramento vaginal anormal, principalmente após a menopausa.
O câncer de ovário, por sua vez, pode evoluir de forma silenciosa e provocar sintomas inespecíficos, como sensação de estômago cheio, aumento do volume abdominal, desconforto pélvico e alterações intestinais.
“Não existe um exame único capaz de rastrear todos os cânceres ginecológicos. Por isso, consultas regulares com o ginecologista e atenção aos sinais do corpo continuam sendo as melhores estratégias para identificar alterações precocemente”, explica Nunes.
Além do acompanhamento ginecológico, manter o peso adequado, praticar atividade física e não fumar são outras medidas que ajudam a reduzir o risco de alguns tumores.
Histórico familiar também exige atenção
Embora a maioria dos casos ocorra de forma esporádica, parte dos cânceres de ovário e de endométrio está relacionada a alterações hereditárias. Mulheres diagnosticadas em idade jovem ou com vários casos da doença na família podem precisar de avaliação genética.
Nessas situações, a investigação de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 e daqueles associados à síndrome de Lynch pode ajudar a orientar o tratamento, definir estratégias preventivas e identificar familiares que também necessitem de acompanhamento especializado.
“A prevenção passa pelo conhecimento do próprio corpo, pela vacinação, pelo acompanhamento regular e pela busca de atendimento diante de qualquer alteração persistente. Quanto mais cedo conseguimos diagnosticar um câncer ginecológico, maiores são as chances de obter melhores resultados no tratamento e preservar a qualidade de vida”, conclui o oncologista.
Observar os sinais do corpo, manter o acompanhamento ginecológico em dia e não normalizar sintomas persistentes são cuidados importantes em todas as fases da vida.
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