Em tarde de coletivas no CT Moacyr Barbosa, o diretor de futebol do Vasco, Admar Lopes, foi o último a ter a palavra. Depois da apresentação do lateral esquerdo Paulinho e do técnico Pedro Emanuel, o dirigente falou sobre os movimentos do clube no mercado e de que forma as disputas judiciais pelo comando da SAF impactam nas negociações.
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O clube vivia sob intervenção judicial até sexta-feira, quando uma nova decisão derrubou a liminar de junho. Com isso, Pedrinho, presidente do clube associativo, pôde voltar ao conselho de administração da SAF e a atuar no futebol cruz-maltino.
— Eu, como diretor de futebol do Vasco, não sabia se iríamos ficar um dia, uma semana, um mês, um ano sem presidente e obviamente, como devem imaginar, causa uma incerteza muito grande. Havia, antes da intervenção e do afastamento dele, da suspensão, havia um plano bem definido, estruturado, e durante o afastamento dele eu não participei de absolutamente nada. Como vocês podem imaginar, um diretor de futebol que não pode falar do presidente, não facilita absolutamente nada. Mas vocês, como são ótimos jornalistas e ótimos investigadores, podem perguntar ao mercado, podem perguntar aos empresários, aos jogadores, aos treinadores, se ajuda num convencimento de apresentar um projeto esportivo e uma estabilidade institucional. — disse Admar.
Em busca de reforços para o restante da temporada, o Vasco trabalha com cautela. Há uma negociação com Marcos Lamacchia para a venda de 90% da SAF que pode injetar dinheiro no clube, mas o dirigente ressaltou que ainda não trabalha com essa possibilidade e frisou que o clube não fará grandes investimentos nesta janela.
— O que foi passado pela diretoria, pelo conselho de administração, pelo presidente e por todo mundo que está acima, primeiro, uma vontade muito grande em tentar melhorar a equipe, e nós estamos atentos ao mercado. E segundo, estrategicamente, até por questões financeiras, orçamentárias e institucionais, foi pedido para esperar um pouquinho num determinado momento e que nós não iremos ser muito agressivos neste primeiro momento da janela, porque as coisas nos próximos tempos podem alterar do ponto de vista financeiro. E eu estou à espera de que haja um ok, mas de qualquer maneira, isso não significa que nos próximos dias, nas próximas semanas possa haver alguma novidade. Não esperem compras de jogadores de uma prateleira muito alta, de 20, 30 milhões, o Vasco não vai ficar rico do dia para a noite, simplesmente pode haver um reajuste financeiro que pode ser benéfico para a nossa estratégia na janela, não esquecendo que a janela é longa e termina no dia 10 de setembro. Por isso, nós estamos atentos a isto, vamos tentar jogar um bocadinho também com o tempo, esperando que financeiramente tenhamos a oportunidade de ir buscar jogadores que nos possam realmente ajudar.
Apesar de ter um orçamento restrito, o dirigente garantiu que há mais que isso no projeto vascaíno. Citando o peso da camisa, a projeção nacional e o compromisso com os pagamentos, Admar explicou a abordagem aos jogadores pretendidos.
— Desde que o presidente Pedrinho assumiu, não falhamos em absolutamente nada, cumprimos financeiramente tudo aquilo que nos propomos, estamos numa transição e numa evolução em termos de infraestrutura, já foi investido próximo de 30 milhões de reais neste CT, nesta sala que nós estamos a ver. Esperemos nós que, após este período de transição, tenhamos capacidade de lutar por títulos e, basicamente acreditamos também que temos a capacidade para a alavancar carreira do jogador como foi com o Rayan na seleção brasileira. É uma camisa muito pesada, todas estas questões, quando se apresentam o projeto, pesam.
O dirigente contou ainda sobre os bastidores da negociação com Pedro Emanuel e que Pedrinho não participou do processo em função da decisão judicial que o afastou do futebol. Por isso, Admar e Felipe (ex-jogador a atual diretor técnico do clube), lideraram as tratativas com o português.
— O Pedro estava numa lista que foi definida pelo departamento de futebol logo após a saída do Renato Gaúcho. Todo o processo de negociação e de entrevistas foi feito pelo departamento de futebol, majoritariamente por mim e pelo Filipe, porque o presidente estava ausente. Ele não participou em nada durante a negociação. Mas de qualquer maneira, o Pedro foi contratado num perfil de técnico que nós definimos, e ele também participou nessa escolha nesse perfil. É uma escolha do departamento de futebol, mas desde o dia um em que nós chegamos ao treinador, o perfil está bem definido dentro dos requisitos que nós queríamos para este momento.
Ainda, explicou a saída repentina de Renato Gaúcho, que deixou o cargo em 18 de junho, relembrando a coletiva de imprensa em que participou ao lado de Thiago Mendes, capitão do time, após a derrota por 3 a 0 para o Bragantino, pelo Brasileirão. Na ocasião, a dupla assumiu a palavra no lugar do ex-técnico.
— Como diretor de futebol, desde o primeiro dia até a assinatura de uma rescisão, estou com meu treinador até à morte. Aquele momento (da derrota para o Bragantino) era um momento complicado, ninguém queria reagir com a cabeça quente. O que aconteceu a seguir naquele momento foi que todos tivemos tempo que pensar e refletir sobre o que aconteceu e nos jogos e semanas a seguir. Refletiu-se internamente, o departamento de futebol juntamente com a diretoria e chegamos com a conclusão de que era melhor mudar planos em relação ao projeto esportivo.



