Vasco aposta no perfil do seu novo treinador: liderança no vestiário, foco no sistema defensivo e jogo reativo.

A cinco dias do reinicio da Série A, o Vasco anunciou seu novo redentor. O ex-zagueiro Pedro Emanuel, de 51 anos, ex-capitão e campeão com Boavista e Porto, ocupará o cargo deixado por Renato Gaúcho. Será o quarto português no Brasileiro em disputa; o 16° a tentar a sorte no país desde 2019, ano da vinda Jorge Jesus para o Flamengo; e o terceiro do próprio Vasco em sete anos, após experiências ruins com Ricardo Sá e Álvaro Pacheco. Pelo currículo, mais uma aposta.
Portugueses com os quais conversei desde a confirmação do acerto dizem que para entender o perfil e o conceito de jogo dele é preciso antes visitar a carreira do ex-zagueiro, tido como um dos mais vitoriosos daquela geração portuguesa da virada do século. Fez bonito tanto pelo Boavista, onde jogou por seis temporadas, como nas sete em que jogou no Porto. Não era propriamente o mais rápido ou mais técnico, mas se impunha na inteligência tática, com raça e entrega.
Era então um “xerife”, dos muitos que já consagramos, considerado extensão do técnico no campo de jogo. Justo por isso, o capitão em campanhas vitoriosas nos dois clubes. No Boavista, levantou o inédito título português em 2001; e, no Porto de José Mourinho foi peça-chave na conquista da Copa dos Campeões, em 2004. E depois o cobrador do pênalti que deu o título no Mundial Interclube ao lado de Diego Ribas, Luis Fabiano, Carlos Alberto e Derley.
Foi graças à personalidade forte, com aflorado perfil de líder, que Pedro Emanuel se lançou na nova função em 2009. Dirigiu a base do Porto e no ano seguinte subiu à auxiliar de André Villas Boas, ao lado de Vítor Pereira. Ali aprendeu organizar sistemas defensivos e jogar de forma pragmática. Hoje, não é obcecado pelo jogo bonito e tem nas transições o ponto forte de seu jogo ofensivo. Talvez por isso, não tenha tido chance em grandes clubes europeus.
Ainda assim, fez bom trabalho no Coimbra, por onde venceu a Taça de Portugal, e, dois anos depois, no Arouca, levando o time à Liga Europa. Passou pelo Apollon Limassol, do Chipre, e Almería, da Espanha, e depois trabalhou por oito anos no Oriente – Al Ain dos Emirados e quatro clubes da Arábia. Ou seja: Pedro Emanuel, mesmo sem as credenciais da eficiência, chega num Vasco politicamente conturbado para dirigir um time sem grandes referências e na zona de rebaixamento.
Em tese, um passo arriscado que provoca calafrios em sua torcida.



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