A Bélgica apresentou várias faces nesta Copa do Mundo 2026. As imagens mais recentes são positivas, com a virada épica sobre o Senegal na segunda fase e a goleada nos Estados Unidos nas oitavas de final, o que faz crescer a confiança para encarar a Espanha, às 16h de hoje, em Los Angeles. Porém, o mesmo time que apresenta viés de alta e fez até dancinha para provocar o presidente americano Donald Trump vivia um ambiente bem conturbado até poucos dias atrás.
A sucessão da geração de ouro belga não tem mantido o alto nível de outrora. Hoje, os jogadores que encabeçam o futuro da equipe são o meia Youri Tielemans e os atacantes Leandro Trossard e Jérémy Doku. Todos, porém, passam longe de ser superestrelas. Assim, um quarteto de veteranos ainda marca presença no grupo convocado por Rudi García: o goleiro Thibaut Courtois, ainda titular absoluto, os meias Kevin de Bruyne e Axel Witsel, e o atacante Romelu Lukaku.
Os belgas passaram com dificuldade na liderança do Grupo G. Foram cinco pontos, após empates contra Egito e Irã e uma goleada sobre a frágil Nova Zelândia, na última rodada. O desempenho coletivo ficou aquém do esperado, e isso se refletiu no primeiro tempo do jogo de mata-mata contra o Senegal, que abriu 2 a 0 no placar. A virada para 3 a 2, com gols de Lukaku e Tielemans na reta final, e outro do meia nos acréscimos da prorrogação, de pênalti, virou a chave — mas não sem dores de cabeça.
— As pessoas se enganaram sobre nós. O jogo contra o Egito não foi tão ruim assim; contra o Irã, não conseguimos marcar, mas também não jogamos mal. Eles ficam sentados dizendo que nos falta ritmo… E nas outras partidas, mais abertas, nos saímos bem — disse Courtois.
Titulares na partida, De Bruyne e Doku foram substituídos com dez minutos do segundo tempo, e o atacante — que gerou debate por ter viajado à Inglaterra no meio da Copa para acompanhar o nascimento do filho — mostrou irritação. Em campo, Tielemans e Trossard tiveram um desentendimento e precisaram ser separados pelos companheiros. Todos os assuntos foram relevados pelo técnico francês Rudi Garcia após a classificação.
A vitória serviu para oxigenar a Bélgica, que, enquanto se preparava para encarar os anfitriões EUA, foi surpreendida com o caso Folarin Balogun. O atacante americano teve uma suspensão por cartão vermelho anulado pela Fifa após interferência do presidente Donald Trump. A equipe saiu mais forte após a goleada por 4 a 1, mas não foi só a motivação da polêmica. Garcia também fez mudanças.
Pela primeira vez no torneio, nem De Bruyne nem Doku foram titulares — o atacante entrou na reta final do jogo, e o meia nem foi acionado. Garcia decidiu barrar as estrelas para poder ter privilégio físico contra um adversário que aplicaria muita intensidade. A estratégia surgiu efeito, e os belgas jogaram como se estivessem em casa.
— Tivemos uma reunião quando recebemos a notícia (da liberação de Balogun), e dissemos que teríamos que responder em campo — admitiu Tielemans em declarações reproduzidas pela agência de notícias AFP. — Ficamos com muita raiva e muita vontade de começar bem a partida, algo que estava faltando a nós.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_1f551ea7087a47f39ead75f64041559a/internal_photos/bs/2026/i/w/qdlBsUT96Pu9Gl4fIIEw/115510551-seattle-washington-july-01-youri-tielemans-8-of-belgium-celebrates-with-teammates-a.jpg)
O confronto contra a favorita Espanha será o teste definitivo para saber se a maré mudou na Bélgica ou se o projeto precisará ser mais bem desenvolvido nos próximos quatro anos. Mesmo tendo apenas um jogo como titular, Lukaku é o artilheiro da equipe na Copa, com três gols. A mistura de juventude e experiência começou a ganhar sinais de uma transição controlada neste momento.
A principal baixa para hoje será a do meia Amadou Onana, que sofreu uma ruptura do ligamento cruzado do joelho direito e ficará afastado dos gramados por longo tempo.
Outro que continuará de fora é o zagueiro Zeno Debast. O jogador de 22 anos foi poupado dos primeiros quatro duelos por estar se recuperando de lesão e, mesmo relacionado na última partida, voltará a ser desfalque, pois o Sporting, clube em que atua, vetou sua participação, contrariando o laudo médico belga, o que gerou um protesto formal da federação dos Diabos Vermelhos.



