‘Não dá para esperar de um único jogador’


Cafu saiu em defesa de Carlo Ancelotti e de Neymar na manhã desta segunda, 6, em entrevista concedida ao GLOBO em Nova York, poucas horas após a derrota da seleção brasileira para a Noruega nesta Copa do Mundo. Depois de assistir à partida no MetLife Stadium, o capitão do penta seguiu na metrópole para inaugurar, na manhã de hoje, uma réplica gigante da taça do mundial — símbolo com o qual guarda identificação aos olhos do mundo.

Questionado sobre as causas da derrocada do time do qual já fez parte, Cafu isentou o treinador quanto às trocas controversas no gramado que antecederam o placar de 2 a 1 para os noruegueses: aos 67 minutos, saíram Gabriel Martinelli e Rayan para dar lugar a Neymar e Danilo.

— As pessoas que falam das substituições não sabem do dia a dia do Ancelotti e do jogador. Não sabem o que o jogador produziu nesse dia a dia. Muita gente criticou o Ancelotti no primeiro tempo contra o Japão, e muita gente elogiou no segundo tempo (daquele mesmo jogo) quando ele deixou os jogadores que alguns achavam que tinha que tirar — declarou Cafu, relembrando a vitória contra os japoneses em que Casemiro, criticado pela torcida e pela crítica esportiva no primeiro tempo, marcou o primeiro gol após o intervalo.

As declarações de Cafu sobre Ancelotti vão na contramão daquelas concedidas ao jornal espanhol “As” por Ronaldo Fenômeno, também integrante da seleção do penta. Para o ex-atacante, Ancelotti, embora “um dos melhores técnicos da história do futebol”, teria cometido diversos erros na disputa contra a Noruega. Cafu, por sua vez, foi enfático no apoio a Ancelotti, de quem é entusiasta desde os tempos no Milan:

— É muito fácil falarmos: ‘Eu teria colocado esse, aquele’. Eu concordo com as substituições do Ancelotti. Ele sabe o melhor critério para a seleção. Infelizmente, não deu certo. Como poderia também ter dado. Mas não é o caso. O problema é que o Brasil não jogou o que nós esperávamos.

Entre os lances do jogo comentados a pedido do GLOBO, Cafu também abordou a postura de Neymar diante dos atletas da Noruega, com destaque para o moemento em que o goleiro Ørjan Nyland foi chamado de “otário” pelo brasileiro. Segundo o ex-lateral, o episódio está dentro do esperado no futebol.

— É o tipo de coisa que não dá para controlar. É o momento. O momento em que o Brasil estava perdendo, em que ficamos nervosos, e qualquer coisa pode acontecer. Falar agora do Neymar, depois que acabou a Copa do Mundo? Desculpa, pessoa errada. Eu jamais vou falar. Porque eu estive lá, sei o quanto é difícil e o quanto eles (jogadores) sofreram. Ninguém quer perder uma Copa. Ninguém quer uma derrota. Todo mundo quer uma conquista, um título — disse Cafu.

O “tópico Neymar”, aliás, abriu espaço para uma defesa de Cafu em relação ao legado do atacante para a seleção. O tom não é novo e repete falas anteriores, de quando o jogador do Santas foi convocado para a Copa. Em maio, Cafu descreveu Neymar como “peça importanteça da seleção”. O tom é o mesmo:

— O Neymar estava lá, jogou, representou a seleção brasileira. Teve uma era vitoriosa na seleção. Infelizmente, não ganhou uma Copa. Mas os números e os resultados do Neymar na seleção são fantásticos. Não dá para esperar de um único jogador, em dez minutos, que se possa ganhar uma Copa do Mundo. Era uma sequência de jogos que iam fazer com que isso acontecesse.

Noruega ‘muito bem posicionada’

Ainda na análise de Cafu, a derrota brasileira aconteceu devido ao propósito traçado pela Noruega, sob o comando do técnico Stale Solbakken, e à falta de “forças” do time canarinho para barrar a estratégia.

— Nós vimos um time que, infelizmente, não conseguiu render aquilo que nós esperávamos, como acontece com qualquer um. E achamos adversários que estavam muito bem posicionados dentro de campo. E que vieram com um propósito de jogo — avaliou Cafu, completando: — O propósito deles era fazer com que o Brasil não tivesse sua maior potência, que eram os contra-ataques. E, em três jogadas, acabaram fazendo dois gols. Tinham o propósito de cadenciar o jogo, e nós não tivemos forças para reagir.



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