Levantamento revela que Flávio Bolsonaro consolidou apoio majoritário entre o eleitorado feminino da direita, mesmo após a divulgação do vídeo de Michelle criticando o enteado
Uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira (2) revelou que 86,9% das mulheres que votaram em Jair Bolsonaro em 2022 preferem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato da direita à Presidência da República em 2026. Apenas 10,8% das entrevistadas escolheram a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O levantamento, realizado entre os dias 26 e 30 de junho, foi feito justamente para medir o impacto do vídeo publicado por Michelle no dia 24, no qual ela criticou duramente Flávio.
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Entre os homens bolsonaristas, a preferência por Flávio também é majoritária, embora menos expressiva do que entre as mulheres. Nesse recorte, 74,9% declararam apoiar a candidatura do senador, enquanto 19,8% escolheram Michelle. Quando se considera o total de eleitores de Jair Bolsonaro, sem divisão por gênero, 81,9% manifestaram preferência por Flávio, contra 14,7% que optaram pela ex-primeira-dama. Os números mostram que, apesar da crise familiar exposta publicamente, Flávio conseguiu manter e até ampliar sua base de apoio dentro do campo bolsonarista.
O vídeo divulgado por Michelle em 24 de junho expôs publicamente um desgaste que já existia nos bastidores. Na gravação, ela relatou ter sido humilhada e desrespeitada por Flávio durante uma conversa telefônica sobre estratégias do PL, especialmente em relação a uma possível aproximação com o ex-governador Ciro Gomes no Ceará. Michelle afirmou que Flávio a tratou como alguém sem experiência política suficiente para opinar sobre as articulações do partido. O material gerou forte repercussão e colocou o PL diante de um racha familiar de grandes proporções.
Flávio consolida apoio entre eleitoras bolsonaristas e enfraquece influência de Michelle no campo da direita
Os números da AtlasIntel indicam que a estratégia de Michelle de expor publicamente o conflito com Flávio não produziu o efeito desejado junto ao eleitorado feminino bolsonarista. Pelo contrário, a grande maioria das mulheres que se identificam com o ex-presidente Jair Bolsonaro rechaçou a candidatura de Michelle e reafirmou o apoio a Flávio. Esse dado é particularmente relevante porque Michelle sempre foi considerada uma das principais pontes do bolsonarismo com o eleitorado feminino. A rejeição expressiva entre as próprias eleitoras de Jair Bolsonaro sugere que a exposição do conflito familiar acabou por desgastar mais a imagem de Michelle do que a de Flávio dentro desse segmento.
O resultado da pesquisa também revela que Flávio conseguiu se posicionar como o herdeiro natural do capital político do pai junto à base mais fiel do bolsonarismo. Mesmo diante de uma crise que envolveu acusações graves de desrespeito e humilhação, o senador manteve alto índice de preferência entre os eleitores que mais se identificam com o projeto político de Jair Bolsonaro. Isso indica que, ao menos por enquanto, Flávio conseguiu blindar sua imagem junto ao núcleo duro do eleitorado de direita, transformando a exposição do conflito em um fator que, aparentemente, não o prejudicou eleitoralmente.
A pesquisa AtlasIntel reforça que Flávio Bolsonaro segue como o nome mais forte da direita para 2026, pelo menos no que diz respeito à preferência dentro do próprio campo bolsonarista. Michelle, por sua vez, aparece com apoio bastante reduzido, especialmente entre as mulheres, o que enfraquece sua capacidade de influenciar o debate interno do PL e de se apresentar como alternativa viável à candidatura do enteado. O dado mais expressivo — os 86,9% de preferência por Flávio entre as eleitoras bolsonaristas — funciona como um termômetro claro de que, apesar do vídeo e da crise familiar, o senador conseguiu manter o apoio da base que mais importava para sua pré-candidatura.
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