EUA sancionam brasileiros e empresas por suposta ligação com o PCC

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira sanções contra dois cidadãos brasileiros, três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), apontado pelo governo americano como a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental.
Segundo o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês), o PCC representa uma ameaça crescente à segurança nacional dos Estados Unidos por atuar na lavagem de dinheiro do tráfico de drogas em território americano, especialmente na Flórida, além de manter operações em países como Reino Unido, Turquia e Japão. O departamento também considera a facção ‘a maior organização criminosa transnacional da América Latina’.
Entre as pessoas sancionadas estão Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Já entre as empresas atingidas pela medida estão as brasileiras Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda. Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda. E Wave Construções Inteligentes Ltda. Além da portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda.
Segundo o Tesouro americano, Shimada liderava o núcleo da organização baseado em São Paulo e fazia a ligação entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais. O órgão afirma que ele e sua estrutura movimentaram mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados em diversas cidades dos Estados Unidos, utilizando criptomoedas para enviar o dinheiro de volta ao Brasil em benefício da facção.
O comunicado também afirma que Shimada esteve envolvido em outros crimes financeiros. Em janeiro de 2025, segundo o governo americano, ele chegou a cumprir prisão domiciliar no Brasil após uma de suas empresas, a Victory Trading, ter sido usada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária.
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira é descrita como parente e colaboradora próxima de Shimada. Segundo o Tesouro, ela atuava como secretária do empresário e intermediava a coleta de grandes quantias, prestando apoio logístico às operações de lavagem.
As autoridades americanas afirmam que Shimada utilizava uma rede de empresas para ocultar a origem dos recursos enviados dos Estados Unidos ao Brasil. Além da Victory Trading, a investigação cita a Pixwave, a Wave Construções Inteligentes e a empresa portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal, que, segundo o OFAC, eram controladas direta ou indiretamente pelo empresário.
A investigação que resultou nas sanções foi conduzida por uma força-tarefa do Departamento de Segurança Interna dos EUA, com participação do FBI e do Departamento de Justiça. Em janeiro deste ano, seis integrantes do núcleo da organização na Flórida foram presos e denunciados por lavagem de dinheiro. As sanções anunciadas agora têm como alvo o braço da operação sediado em São Paulo.
Com a medida, todos os bens e interesses dos sancionados localizados nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos americanos ficam bloqueados. Além disso, pessoas e empresas dos EUA ficam proibidas de realizar transações com os alvos, e instituições financeiras estrangeiras que mantiverem relações relevantes com eles também podem ser alvo de sanções secundárias.
Segundo o Tesouro, esta é a terceira rodada de sanções do OFAC contra o PCC. A facção foi incluída na lista de organizações sancionadas em 2021, e um operador ligado ao grupo já havia sido punido em 2024 por participação em esquemas de lavagem de dinheiro.



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