Baseado em fatores como PIB per capita, tamanho da população e temperatura média dos países, o modelo do economista Joachim Klement utiliza variáveis pouco convencionais para estimar as chances de uma seleção conquistar a Copa do Mundo. Depois de ficar famoso por acertar os campeões das três últimas Copas, Klement viu duas de suas principais previsões caírem por terra ontem: o Brasil contrariou a projeção de derrota ao eliminar o Japão, e a Holanda, apontada como futura campeã, caiu diante de Marrocos nos pênaltis. O economista usou as redes para se defender dos erros.
Em uma publicação feita nesta terça-feira (30), Klement admitiu o fracasso da previsão.
“Por fim, depois de 12 anos e de ter tido sorte em três Copas do Mundo, a minha sorte acabou”, escreveu.
O economista lembrou que o objetivo do modelo sempre foi demonstrar as limitações das previsões econômicas e ironizou o próprio resultado: “E, finalmente, provou-se que eu estava certo”.
Na mesma publicação, pediu desculpas ao povo holandês pela falsa esperança, mas manteve o tom bem-humorado: “Nossa, vocês tiveram muito azar”.
Quando publicou o artigo com as previsões, ele já havia sido precavido ressaltando: “Originalmente, isso deveria ser um exercício de humildade para mostrar ao mundo o quão estúpidos e pouco confiáveis são os modelos econômicos. No entanto, os economistas acham que podem prever tudo, da inflação à pandemia, passando pelas Copas do Mundo”, escreveu Klement.
O problema, segundo ele, foi justamente o sucesso inesperado da metodologia. “Aconteceu a pior coisa. Eu acertei. E depois uma segunda vez. E uma terceira vez.”
Brasil escapou da “maior zebra” prevista pelo modelo
Antes da partida, Klement classificou uma eventual derrota brasileira para o Japão como “uma das maiores zebras da história da Copa do Mundo”. O resultado foi justamente o oposto: o Brasil venceu de virada, conquistando sua primeira vitória desse tipo em Copas desde 2002.
Após a classificação, Neymar, que não entrou em campo, aproveitou para provocar o economista nas redes sociais: “Favor tentar na próxima Copa”.
Pouco depois, Klement respondeu com bom humor em um vídeo publicado pelo Globo Esporte: “Parece que o Brasil venceu as estatísticas mais uma vez. Tá liberado acreditar”.
Se o erro envolvendo o Brasil já havia chamado atenção, a eliminação da Holanda encerrou de vez a sequência de previsões corretas do economista.
E nem nesse erro o alemão conseguiu escapar de uma alfinetada do craque da seleção brasileira, que voltou a escrever sobre as previsões após a derrota da seleção holandesa.
Apesar dos erros, Klement afirmou que não pretende aposentar o modelo. Segundo ele, continuará fazendo previsões a cada quatro anos como forma de mostrar que a sorte ainda exerce um papel decisivo no futebol.
“Até agora, acertei três das quatro vezes. Então podem ter certeza de que voltarei daqui a quatro anos com uma nova leva de previsões. Mas espero que, até lá, as pessoas tenham entendido minha principal mensagem: a sorte é o fator mais importante, e nenhum modelo consegue fazer previsões perfeitas.”
“Tudo o que podemos esperar é acertar mais vezes do que errar”, conclui.



