Engemil pediu paralisação dos trabalhos em maio; Novacap recebeu apenas pouco mais da metade do valor solicitado e nega interrupção formal da obra
A empresa responsável pelas obras de revitalização da Piscina de Ondas do Parque da Cidade solicitou, em 15 de maio, a suspensão dos trabalhos por falta de garantia orçamentária. A Engemil Engenharia comunicou à Novacap que não havia recursos suficientes para manter o ritmo da obra, o que poderia comprometer a execução do contrato.
De acordo com documentos de fiscalização obtidos pela reportagem, a Novacap solicitou à Secretaria de Esporte e Lazer do Distrito Federal a liberação de R$ 17,39 milhões entre janeiro e maio de 2026. No entanto, apenas R$ 9,1 milhões foram repassados até o momento. A diferença entre o valor pedido e o efetivamente liberado foi o principal motivo alegado pela empresa para pedir a interrupção dos serviços.
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A Secretaria de Esporte e Lazer informou que aguarda a publicação de um decreto que autoriza o uso do superávit financeiro para liberar o restante dos recursos. Segundo a pasta, após essa etapa, o valor será repassado à Novacap. Já a companhia urbanizadora afirmou que a obra segue em andamento, embora tenha reconhecido uma “diminuição no ritmo” dos trabalhos. A Novacap informou que o contrato está com cerca de 10% de execução e que a previsão de entrega permanece para o segundo semestre de 2026.
Na prática, porém, a situação no canteiro de obras é diferente da versão oficial. Reportagem do Metrópoles esteve no local na quinta-feira (18) e na segunda-feira (23) e constatou que não havia máquinas em operação nem execução de serviços. Um segurança presente no local relatou que os trabalhadores têm comparecido apenas para registrar presença, sem que haja atividade efetiva desde o início de junho.
A Piscina de Ondas está fechada desde 1997 e faz parte da memória afetiva de muitas gerações de brasilienses. O Governo do Distrito Federal anunciou a revitalização do espaço com investimento de R$ 18 milhões, incluindo a construção de um “rio lento”, toboágua e área específica para bebês. A expectativa inicial era de que o equipamento fosse reaberto ainda em 2026.
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A paralisação dos trabalhos, mesmo que não seja reconhecida formalmente pela Novacap, levanta dúvidas sobre o cumprimento do cronograma. A diferença entre o valor solicitado e o efetivamente liberado — quase R$ 8,3 milhões — mostra que a obra depende de recursos que ainda não foram integralmente disponibilizados. Enquanto a empresa alega falta de cobertura orçamentária para continuar, o órgão responsável sustenta que os serviços não foram interrompidos, apenas tiveram o ritmo reduzido.
O caso expõe dificuldades recorrentes na execução de obras públicas no Distrito Federal, especialmente quando dependem de repasses de diferentes pastas. A revitalização da Piscina de Ondas é um dos projetos prioritários da atual gestão na área de lazer, mas a falta de recursos em tempo hábil pode atrasar a reabertura do equipamento, que é aguardada por grande parte da população.
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