Modric mantém perseguição a marca de Messi após vitória que dá respiro à Croácia na Copa de 2026


A Croácia segue viva na Copa do Mundo de 2026 após uma tensa vitória sobre o Panamá, por 1 a 0, nesta terça-feira, em Toronto. E o meia Luka Modric agradece: ele completou 200 jogos pela seleção croata e está a duas partidas de entrar, já neste Mundial, no top 3 de jogadores com mais partidas por seleções nacionais na História. O líder do ranking é Cristiano Ronaldo, com 230 jogos, seguido por Bader Al-Mutawa, do Kuwait, com 202. Lionel Messi é o terceiro, com 201 partidas, apenas uma a mais do que Modric.

Aos 40 anos, Modric é o quarto jogador mais velho desta Copa e sabe que não tem muito tempo pela frente na seleção — embora venha desafiando há alguns anos os prognósticos de aposentadoria. Quanto mais longe a Croácia chegar nesta Copa, mais chances ele tem de igualar ou até superar Messi. O argentino deve chegar ao menos à 203ª partida nesta Copa, se entrar em campo contra a Jordânia, pela última rodada da fase de grupos, e no primeiro mata-mata, para o qual a Argentina já se classificou.

A Croácia, por sua vez, ainda precisa remar por uma vaga na próxima fase. Com três pontos, está um atrás de Gana e Inglaterra, que empataram hoje pelo Grupo L. Os croatas terão que pontuar contra Gana na última rodada para manter as chances de Modric — finalista na Copa de 2018 e semifinalista em 2022 — atingir mais jogos e novas marcas históricas pela seleção.

Muito lenta no primeiro tempo, a Croácia não parecia nem sombra do time que havia estreado num jogo eletrizante contra a Inglaterra, uma das melhores partidas da primeira rodada da Copa. Com Perisic mais adiantado do que de costume, e livre para flutuar pelo campo, o lado esquerdo da seleção croata ficou muito vulnerável às investidas em velocidade de Cristian Martínez e de Adam Murillo, que atacavam em dose dupla por ali no 3-4-3 da equipe panamenha.

Na base do meio-campo croata (o “2” do 4-2-3-1), Modric e Kovavic, uma novidade da Croácia em relação à estreia, não conseguiam acompanhar o ritmo do ataque panamenho. Principal ídolo da seleção, Modric tinha pouco espaço para pensar as jogadas e gerou alguns riscos para a Croácia ao ser desarmado na saída de bola durante o primeiro tempo.

O Panamá fazia partida correta e gerava mais sustos para a Croácia do que o contrário, mas sentia o problema do cobertor curto: Fajardo, escalado no comando do ataque para dar mais velocidade e intensidade ao time panamenho, não tinha o cacoete de centroavante como Waterman, que perdeu a posição para acomodar o colega. Ao longo do jogo, fez falta ao Panamá alguém que pudesse empurrar a bola para as redes, após sucessivas jogadas de linha de fundo.

O técnico croata Zlatko Dalic aproveitou o intervalo para corrigir os problemas táticos de sua equipe: deslocou Perisic para a lateral-esquerda, função que o atacante cumpre com louvor — e onde passou a anular as investidas de Martínez, até então o melhor do Panamá –, e colocou o oportunista centroavante Budimir em campo.

Bastou um ataque, aos nove minutos do segundo tempo, para a Croácia mostrar que havia voltado diferente. O lateral-direito Stanisic chegou pela primeira vez à linha de fundo e cruzou na medida para Budimir escorar para o fundo da rede.

O gol abalou o Panamá, que faz apenas sua segunda participação em Copas e ainda busca seu primeiro ponto na história do torneio. O meia Bárcenas ditava o ritmo da equipe panamenha no primeiro tempo, mas cometeu erro infantil pouco após a Croácia abrir o placar — em lance muito parecido ao seu passe errado que gerou o primeiro gol do Brasil, de Vinicius Jr., no amistoso pré-Copa — e quase pôs tudo a perder: cedeu um contra-ataque para o croata Pasalic, de frente com o goleiro, desperdiçar duas chances inacreditáveis.

Se a seleção croata tinha dificuldades para matar o jogo na frente, o goleiro Livakovic — pesadelo do Brasil na Copa de 2022 — salvava a pátria atrás, nas raras vezes em que o Panamá conseguia finalizar na direção do gol. O técnico Thomas Christiansen tentou aumentar o poderio ofensivo da equipe panamenha aos 30 do segundo tempo, lançando o centroavante Waterman ao lado de Fajardo na frente, mas não deu resultado.

A derrota elimina o Panamá precocemente, mas a seleção de Christiansen — que treina a equipe desde 2020 e faz um trabalho consistente — tem condições de buscar um ponto contra a Inglaterra, na última rodada, e embolar ainda mais o Grupo L. Já a Croácia precisará jogar mais para ter chance de ir longe neste Mundial — o primeiro colocado desta chave, vale lembrar, pode enfrentar o Brasil numa hipotética quartas de final, caso a seleção brasileira também termine como líder em seu grupo.



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