Demorou 28 minutos para o “cometa” Erling Haaland fazer seu primeiro gol em Copas do Mundo, e 43 minutos para fazer o segundo. Liderando o retorno da seleção a um mundial após 28 anos de hiato, o artilheiro do Manchester City mostrou que, independentemente da camisa ou do torneio em questão, ele mantém seu mesmo estilo de jogo: poucos toques na bola e muitos gols. Com esse super trunfo, ficou mais fácil para a seleção norueguesa vencer o Iraque por 3 a 1, nesta terça (16), pela primeira rodada do Grupo I.
Ostigard eThorstvedt, com assistência de Haaland, completaram o placar para a Noruega. Com o resultado, o time empatou com a França na liderança do grupo.
Do outro lado, o personagem da seleção do Iraque que chamava a atenção do noticiário antes do jogo também se destacou. Herói da classificação ao Mundial na repescagem contra a Bolívia e autor do gol de honra nesta terça (16), Aymen Hussein foi interrogado por sete horas ao desembarcar nos EUA para a Copa. Em 2008, o atacante teve o pai militar morto pela Al Qaeda. Seis anos depois, em 2014, o seu irmão foi sequestrado pelo Estado Islâmico e nunca mais encontrado.
Confronto de seleções há décadas longe da Copa
O jogo marcou um confronto entre duas seleções que vinham de longa ausência no torneio. A última Copa da Noruega foi em 1998, quando esteve no grupo do Brasil. Já o Iraque teve sua única participação há 40 anos. Nesse clima de nostalgia, as equipes emularam o melhor dos anos 80 e 90 e basearam suas principais forças nas suas duplas de ataque.
Do lado norueguês, Sorloth, do Atlético de Madrid, fazia companhia a Halland. Já o Iraque apostava nas ligações diretas para Al Hamad e Aymen Hussein. Apesar dos iraquianos terem assustado em cruzamentos, a vantagem ficou para a Noruega.
No ciclo da Copa, um dos grandes questionamentos que rondou a seleção norueguesa era se Sorloth conseguiria jogar junto do astro Haaland. Ao lado do capitão Odegaard, do Arsenal, eles são os jogadores de mais destaque no futebol europeu. A chamada “geração de ouro” da Noruega ainda tem a companhia do ponta esquerda Nusa, do RB Leipzig
Apesar de ter as características de um centroavante de área, Sorloth precisou se deslocar mais pelos lados, principalmente o direito. Mais distante do gol, ele não demonstrou muita intimidade com a bola, mas o importante é que deixou o artilheiro do Manchester City brilhar no seu habitat natural.
E o desenho tático começou a mostrar efeito aos 28 minutos do primeiro tempo, quando Haaland aproveitou cruzamento e se atirou para completar para o gol, no segundo pau. A boa jogada começou com o Nusa, que veiu bem a ultrapassagem do lateral esquerdo Wolfe, resultando na assistência.
No melhor momento da Noruega no jogo, o Iraque chegou ao empate, em uma bela construção de jogada. O centroavante Ali Al Hamad sustentou bem o pivô e tocou para Jasim, que balançou para a frente da marcação, achou ótimo passe na área para Al Anmari, que cruzou na medida para o 34º gol Aymen hussein pela seleção, o 5º maior artilheiro da história do país.
Mas o empate durou pouco. Em uma falha incrível da defesa iraquiana, o zagueiro Tahseen recuou fraco, o goleiro Hassan decidiu esperar a bola e precisou dividir com Haaland. A bola espirrou e morreu nas redes do gol iraquiano: 2 x 1 para a Noruega, e o segundo do “cometa”.
No último lance do 1º tempo, Al Hamad teve grande chance de empate, mas seu chute foi bloqueado na hora certa pela defesa. Na cobrança do escanteio, um chute potente de Hashem enganou boa parte da torcida no estádio. A bola bateu na rede pelo lado de fora e chegou a arrancar gritos no estádio.
No segundo tempo, a Noruega continuou controlando a partida. Mesmo sem acelerar as jogadas, pouco sofria, apesar das tentativas de cruzamento do Iraque.
Uma das seleções que mais sofre com o calor do verão americana, a Noruega renovou o ataque na segunda parada técnica, e fez quatro substituições de uma vez na pausa para hidratação do segundo tempo. E as mudanças deram certo, com o terceiro e o quarto gols saindo dos pés dos reservas que entraram. Primeiro, em cobrança de escanteio de Odegard, o zagueiro Ostigard cabeceou para o fundo das redes, enquanto a defesa iraquiana se preocupava com Haaland.
A Noruega, ao lado da Bósnia, é o time com maior estatura média da Copa. E essa força foi usada também no quarto gol. No último lance do jogo, o time aproveitou uma falta na lateral, girou a bola até o outro lado e um cruzamento encontrou Haaland, que escorou para Thorstvedt vencer o goleiro Hassan e completar para o fundo das redes.



