Dono da Copa? Jornal francês posiciona Trump no centro das polêmicas do Mundial


“Bem-vindo aos Estados Unidos”. Um dia antes da cerimônia de abertura do maior evento esportivo do planeta, o jornal L’equipe, da França, posicionou Donald Trump no centro das polêmicas que cercam o Mundial na capa de sua edição impressa. O presidente dos Estados Unidos segura o troféu da Copa do Mundo em uma das mãos e, na outra, controla um fantoche do presidente da Fifa, Gianni Infantino.

Um agente do Ice e o árbitro somali Omar Artan, excluído da Copa do Mundo por recusa da imigração dos Estados Unidos, compõem os outros destaques da capa da edição impressa do jornal que traz a manchete. A posição crítica do jornal perante a política imigratória americana e a falsa promessa de universalidade fica ainda mais clara no texto em destaque da capa.

— A poucas horas do pontapé inicial, a política migratória dos Estados Unidos alcança a Copa do Mundo e põe em xeque a promessa de universalidade da FIFA. O primeiro símbolo disso é a proibição de entrada no território do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan — diz a capa do L’equipe

L’equipe, da França, posicionou Donald Trump no centro de todas as polêmicas que cercam o Mundial e representou o presidente da Fifa como um fantoche — Foto: Reprodução/X

O ex-presidente da entidade máxima do futebol, Joseph Blatter, de 90 anos, disse. Em entrevista ao L’equipe, que a causa dos problemas do Mundial “recaem sobre a Fifa” apenas. Segundo Blatter, a entidade erra ao não se atentar a dois princípios fundamentais para a realização de uma Copa do Mundo: — O primeiro é a segurança, que o país deve garantir para o evento. O segundo é a concessão de vistos de entrada a todos os profissionais oficiais da FIFA. E não há nada mais oficial do que um árbitro.

Blatter fala especificamente do caso do árbitro somali Omar Artan, que aparece na capa da edição impressa desta quarta-feira. O juiz seria o primeiro profissional de arbitragem da Somália a participar de uma Copa do Mundo, mas teve o visto negado pela imigração dos Estados Unidos, que alegaram “questões de segurança nacional”.

— Se um país recusa a entrada de um árbitro, isso é um problema grave, e não se deveria disputar uma Copa do Mundo em um país assim. A culpa é, antes de tudo, da FIFA: ela abandonou esse princípio, que o país [os Estados Unidos] não respeitou. Não se pode interromper o torneio, mas isso é uma aberração — concluiu Blatter sobre o assunto.

O ex-presidente da entidade também criticou Gianni Infantino e insinuou que ele estaria sendo “dominado” por Donald Trump.

— O atual presidente (Gianni Infantino) deveria mostrar que é mais forte do que seu grande amigo na Casa Branca, não acha? (Donald Trump). Quando se começa a ser dominado pela política, isso é algo ruim — disse.

Blatter foi acusado de participar de um grande esquema de corrupção enquanto era presidente da Fifa. Investigações apontavam que o ex-mandatário tinha autorizado a transferência de 2 milhões de francos suíços (cerca de R$ 13 milhões na cotação atual) a Michel Platini em 2015, quando o ex-capitão da seleção italiana era presidente da Uefa. No ano passado, tanto Blatter como Platini foram considerados inocentes.

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