Em entrevista, árbitro somali comenta exclusão da Copa de 2026


O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan teve a entrada negada nos Estados Unidos, nesta terça-feira impossibilitando sua participação na Copa do Mundo de 2026. Em sua primeira declaração pública após o episódio, concedida em entrevista ao jornal The New York Times, o profissional lamentou o veto migratório que frustrou o que chamou de “maior objetivo de sua carreira”.

— Estou muito, muito desapontado. Sou simplesmente um árbitro que está tentando viver seu sonho, o maior sonho da minha vida, de vir para a Copa do Mundo — disse Omar Artan, que está em Istambul e concedeu a entrevista por telefone.

Mantido no Aeroporto Internacional de Miami, o árbitro somali foi impedido de entrar no território americano no último sábado, a cinco dias da abertura da Copa do Mundo. De acordo com relatos do próprio árbitro, agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, em inglês) o conduziram a uma sala reservada de inspeção, onde ele permaneceu sob interrogatório durante toda a noite antes de ser deportado.

— Eu tinha os documentos certos e tudo mais. Tinha o visto correto — afirmou.

Durante o procedimento, os agentes de fronteira também fizeram buscas em plataformas digitais para checar o histórico profissional de Artan. Segundo o relato de Omar, a entrevista de imigração estendeu-se por 11 horas.

Ainda de acordo com o relato do juiz, o interrogatório conduzido pelos agentes de fronteira foi concentrado nos motivos de sua viagem e no cenário político da Somália. As indagações abordaram extensivamente as atividades do grupo extremista Al-Shabab, organização que controla parcelas do território do país africano.

O somali afirmou ter sido transferido para uma cela de detenção temporária, onde permaneceu confinado por mais algumas horas antes de ser embarcado em um voo com destino a Istambul, na Turquia. Artan afirmou que as autoridades americanas não apresentaram nenhuma justificativa formal para a recusa de sua entrada no país.

Em informe oficial, a CBP disse que as decisões de admissibilidade são tomadas de forma individual e não detalhou as razões específicas que motivaram o veto a Artan. De acordo com a nota emitida pelo órgão, o profissional “passou por uma inspeção adicional, uma etapa rotineira do processo de fiscalização da CBP quando os agentes necessitam verificar informações ou determinar a elegibilidade de entrada”.

A agência governamental concluiu o comunicado afirmando que, após a análise, o árbitro da Fifa foi considerado “inadmissível devido a preocupações de segurança identificadas durante a triagem”, justificando assim a rejeição de sua entrada no país.

Na entrevista, Artan chegou a dizer acreditar que os Estados Unidos “têm um problema com o seu país”, e afirmou que retornará à capital da Somália, Mogadíscio, na quarta-feira.

A exclusão do torneio interrompe uma preparação que, segundo o árbitro, durava quatro anos e incluiu a participação em cursos de capacitação técnica da Fifa no Catar e nos Emirados Árabes Unidos. O impasse ocorre em meio às severas restrições de viagem e concessão de vistos impostas pelo governo Trump à Somália, nação localizada no Leste Africano.

Diante do cenário, ainda não há clareza se a Fifa solicitou uma autorização especial de trânsito para o profissional junto ao governo americano. Em nota oficial, a entidade confirmou que o árbitro somali está definitivamente fora do corpo de arbitragem do Mundial.

Artan detalhou que o percurso rumo aos Estados Unidos teve início na semana anterior em Nairóbi, capital do Quênia, onde permaneceu no aguardo da emissão de seus documentos de viagem. Com a documentação liberada, o árbitro embarcou com destino a Istambul e, de lá, seguiu em um voo de conexão para Miami, onde participaria de uma reunião preparatória oficial da Fifa com o corpo de arbitragem escalado para o torneio.



Source link

- Advertisement -spot_img

More From UrbanEdge

- Advertisement -spot_img