Operação Armlock: mais um esqueleto no armário do Buriti


Imagem: reproduçaõ Rede Globo

Você conhece a Operação Armlock?

A Operação Armlock é uma investigação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos na Secretaria de Esporte e Lazer do DF (SEL/DF). O nome faz referência a uma chave de braço do jiu-jitsu — esporte que está no centro da história.

Em resumo, o MPDFT suspeita que uma associação foi usada como “fachada” para firmar parcerias (Termos de Fomento) com o governo. O dinheiro público, que deveria financiar eventos esportivos, teria sido direcionado para competições fantasmas, notas fiscais superfaturadas ou inexistentes, beneficiando particulares e dirigentes. Os crimes investigados incluem peculato, corrupção ativa e passiva, fraude em procedimentos administrativos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

O esquema investigado

As investigações apontam que a Associação Centro-Oeste de Jiu-Jitsu (COJJ) teria funcionado como intermediária. Recursos eram repassados oficialmente para campeonatos e ações esportivas, mas, na prática, parte do dinheiro seria desviada para eventos da Federação Brasiliense de Jiu-Jitsu Desportivo (FBJJD) ou apropriada por envolvidos. Eventos anunciados muitas vezes não aconteciam ou eram superfaturados. Um exemplo concreto da primeira fase: repasse de cerca de R$ 841 mil em um único ano para a COJJ.

Cronologia da operação

1ª fase – 11 de maio de 2023 O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MPDFT deflagrou a operação com cerca de 25 a 30 mandados de busca e apreensão no DF e em Goiás. Alvos incluíram as Secretarias de Esporte e de Economia/Fazenda. Foram apreendidos mais de R$ 80 mil em dinheiro em um endereço residencial. Um dos principais investigados foi afastado cautelarmente do cargo público.

2ª fase – 11 de setembro de 2025 Quase dois anos e meio depois, o MPDFT realizou a segunda fase, com 21 a 22 mandados de busca e apreensão no DF e em Goiás. As buscas alcançaram gabinetes no Anexo do Palácio do Buriti e a Administração Regional do Sudoeste/Octogonal. A fase ampliou o foco para novos núcleos, incluindo fornecedores de documentos e notas fiscais falsas, além de agentes políticos suspeitos de dar apoio ao esquema.

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Principais envolvidos

  • Francisco Grisolia Santoro (Kiko Santoro): Ex-subsecretário de Saúde Física na Secretaria de Economia, campeão de jiu-jitsu e apontado como principal articulador. Era considerado o “presidente de fato” da Federação Brasiliense de Jiu-Jitsu Desportivo. Foi alvo de busca e afastamento cautelar na primeira fase.
    • Giselle Ferreira de Oliveira: Ex-secretária de Esporte e Lazer atual secretária de Desenvolvimento Social do Distrito Federal. Suspeita de ter validado expedientes irregulares. Foi alvo de busca na segunda fase.
  • Reginaldo Rocha Sardinha: Ex-deputado distrital e atual administrador regional do Sudoeste/Octogonal. Investigado por supostamente direcionar emendas parlamentares para projetos ligados à COJJ em troca de vantagens. Também alvo de busca na segunda fase.

Outros servidores da SEL/DF e empresários ligados a empresas que emitiam documentos falsos também estão na mira.

Situação atual (maio de 2026)

Até o momento, a Operação Armlock segue em fase de investigação. Não há denúncia formal oferecida à Justiça nem condenações. O MPDFT continua analisando documentos, prestações de contas e cruzamentos de dados. Os investigados negam irregularidades e afirmam estar à disposição das autoridades.

Desdobramento recente

Na última sexta-feira (22 de maio de 2026), a governadora Celina Leão exonerou Jackeline Couto Canhedo do comando da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes). No lugar dela, assumiu Giselle Ferreira, que até então ocupava a Secretaria da Mulher. Giselle é servidora concursada e considerada nome de confiança direta da governadora. A troca foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal.

A nomeação ocorre enquanto Giselle segue como investigada na Operação Armlock — fato que chama atenção pela sensibilidade política da Sedes, uma das pastas mais relevantes do GDF.

A Operação Armlock continua em andamento e pode ter novas fases ou desdobramentos. O caso ilustra como parcerias com entidades esportivas podem, segundo o MP, ser usadas para mascarar desvios de dinheiro público. O MPDFT e a Polícia Civil seguem trabalhando com apoio do Gaeco de Goiás.

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