No carnaval de 1963, o Salgueiro apresentou “Xica da Silva”, considerado até hoje um dos mais fantásticos desfiles do carnaval carioca, e que garantiu à escola o seu segundo titulo. Após 17 anos sem ganhar um campeonato, a vermelho e branco vai apostar numa revisita ao mito e a lenda de Francisca da Silva Oliveira, chamada de a “Imperatriz do Tijuco” e a “Dona de Diamantina”.
A proposta do desfile nasceu da pesquisa de mestrado do enredista Leonardo Antan e ganhou força após a divulgação pública, no ano passado, do testamento oficial de Francisca da Silva Oliveira pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O documento trouxe novas informações sobre a mulher real por trás da personagem eternizada depois em novelas, filmes, ampliando o debate sobre os estereótipos que marcaram sua representação ao longo das décadas.
Desfile histórico do Salgueiro, de 1963
Agência O Globo
—Nós vamos revisitar a história de uma das personagens mais importantes da trajetória do Salgueiro, responsável pelo segundo título da academia, em 1963. Nós vamos agora aprofundar aspectos da sua história , revisitá-la e conhecer novas informações através de pesquisas recentes — explicou o carnavalesco Jorge Silveira.
O testamento está registrado no Acervo Minas Justiça sob o nome “Nota de Registro de Testamento”, uma vez que faz parte do Livro de Registros de Testamentos nº 35, da Comarca do Serro, que reúne diversos documentos da mesma natureza. Francisca da Silva de Oliveira nasceu no distrito de Milho Verde, pertencente ao Serro, na região do Vale do Jequitinhonha, por volta do ano de 1734.
Logo do desfile de 2027
Reprodução
O anúncio da localização de seu testamento foi feito pelo TJMG no ano passado, com a informação de que o documento, que está sob a guarda da Memória do Judiciário (Mejud), será restaurado. Junto à Carta de Alforria, datada de 1753, o testamento, após restauração, deverá ser um dos objetos museológicos de destaque do acervo da Mejud, hoje sob a superintendência do desembargador Osvaldo Oliveira Araújo Firmo.
—O Salgueiro vai evocar esse personagem da academia salgueirense como uma pomba gira que foi reinterpretada diversas vezes pelas grandes atrizes que deram vida a ela, desde o desfile do Salgueiro que a apresentou mundialmente no desfile de 1963, na interpretação de Isabel Valença. Depois veio o filme de Cacá Dieguez, com Zezé Motta, e na novela da TV Manchete, com Taís Araújo — completou Leonardo Antan.
Das 12 escolas do Grupo Especial, apenas duas ainda não divulgaram enredo: Grande Rio e a estreante Maricá.
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