Uma série de homenagens que incluíram sobrevoos de cinco helicópteros pela Zona Sul, chuvas de pétalas de rosas no cemitério e um cortejo fúnebre em um caminhão do Corpo de Bombeiros, antecederam a cremação do corpo do piloto da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), Felipe Monteiro Marques, nesta terça-feira, no Cemitério da Paciência, no Caju, Zona Norte do Rio. Ele morreu no último domingo, após ter sido baleado em março de 2025.
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Na ocasião, Felipe estava como copiloto a bordo de um helicóptero da Polícia Civil durante uma operação na Vila Aliança, na Zona Oeste da capital, quando foi atingido no pescoço por um tiro de fuzil. Felipe perdeu cerca de 40% do crânio e passou por uma série de intervenções cirúrgicas. Ele lutava pela vida havia mais de um ano, mas acabou não resistindo e morreu.
Cortejo ao passar pela Praia de Copacabana, acompanhado de um helicóptero
Gabriel de Paiva/Agência O Globo
Transportado em um caminhão do Corpo de Bombeiros e acompanhado por dezenas de viaturas da Core, o corpo de Marques saiu da base do Serviço Aeropolicial, na Lagoa, Zona Sul, às 12h51. No Leblon, o cortejo foi saudado por policiais das Delegacias Antissequestro, da 14ª DP (Leblon) e da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo. Perfilados, os agentes aguardaram a passagem do caixão do piloto.
Na orla de Ipanema, Leblon e Copacabana houve mais homenagens. Banhistas ficaram de pé e bateram palmas. Alguns chegaram a segurar bandeiras e a balançar lenços brancos. Cinco helicópteros — a maioria da Polícia Civil — e uma aeronave do Corpo de Bombeiros fizeram sobrevoos pela praia.
Helicóptero e carros da Core em Copacabana
Divulgação Polícia Civil
O cortejo passou ainda por Botafogo e pela Avenida Brasil até chegar ao Caju, por volta das 14h. Segundo o secretário de Polícia Civil, dekegado Delmir Gouvea, o piloto foi um herói que acabou sendo assassinado de maneira covarde por traficantes.
— Nós estamos aqui hoje reverenciando o nosso herói, o piloto Felipe. Ele foi atacado covardemente durante uma operação policial, no momento em que já estava se retirando da comunidade, uma vez que passou todo o tempo com o helicóptero protegendo as equipes no solo. Foi atingido covardemente pelos traficantes daquela localidade — disse o secretário.
A viúva de Felipe, Keidna Marques, esteve no cemitério. Muito abalada, preferiu não falar com jornalistas. Ela chegou a fazer uma espécie de diário on-line acompanhando o dia a dia do casal. No dia 15 de dezembro do ano passado, o policial recebeu alta do Hospital São Lucas, em Copacabana, e seguiu para um período de reabilitação. Felipe, porém, teve de ser novamente internado por causa de uma infecção. Desde abril, seu quadro de saúde vinha se agravando.
Após o anúncio de sua morte, Keidna fez postagens emocionadas de despedida em suas redes sociais. Nesta segunda-feira, ela mostrou a última foto que tirou de Felipe: uma tatuagem com seu nome seguida da expressão “my love” (“meu amor”). Ela contou se lembrar do dia em que o piloto fez uma surpresa e lhe mostrou o desenho.
“Você sempre teve o seu jeito de demonstrar amor… nos gestos, nas atitudes, nos detalhes que ficavam guardados na memória.”
“Ontem (domingo), ao passar a mão ali, eu não consegui conter a dor e as lágrimas. Porque aquela lembrança veio inteira ao meu coração. E me despedir de você carregando esse momento foi uma das dores mais difíceis que já senti. Te amo eternamente”, diz um trecho do texto.
Após as homenagens, o corpo de Felipe foi cremado no Cemitério da Paciência, no Caju. Segundo a polícia, um dos suspeitos de envolvimento na morte do piloto já está preso.
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