Os desafios da maternidade moderna

Vivemos um tempo em que os valores parecem embaralhados. O que soa “aceitável” ou até “elegante” nem sempre sustenta relações saudáveis no longo prazo. No cotidiano das famílias, isso aparece de forma concreta: limites são vistos como agressão, orientações como desrespeito e o “não” como falta de amor.
Logo, cabe a pergunta: como educar nesse tempo de múltiplas teorias e complexas tendências?
Do ponto de vista da terapia familiar, educar é, muitas vezes, fazer o básico bem feito: estabelecer rotinas, combinar regras claras, sustentar consequências e, principalmente, manter presença afetiva.
Pais precisam ser pais antes de serem amigos dos filhos, e suas atitudes devem ser direcionadas pela cumplicidade de suas responsabilidades e papéis, mesmo que isso não seja acolhido, num primeiro olhar, pelos filhos.
A criança e o adolescente se organizam quando encontram adultos que conseguem dizer “sim” com acolhimento e “não” com firmeza, sem humilhação, violência, desrespeito ou truculência.
Toda mãe e pai deveriam ter tatuado em si, em letras garrafais: “autoridade sem amor redunda em tirania, mas o amor sem autoridade redunda em frouxidão”.
Em meus atendimentos clínicos, é comum ouvir pais exaustos, inseguros diante das reações dos filhos. Frases simples como “agora não”, “isso não é possível neste momento” ou “você ainda não tem responsabilidade para isso” passaram a ser interpretadas como ataques pessoais.
Há uma absoluta distorção quanto ao olhar dos pais sobre os filhos e destes sobre aqueles: proteger e orientar virou motivo de culpa. Esse cenário fragiliza a autoridade parental.
Educar envolve quatro movimentos que se complementam: proteger, educar, disciplinar e acolher.
Proteger é ser amparo e segurança inegociáveis; educar é cultivar com o exemplo; disciplinar é exercitar, junto aos filhos, o dizer “sim” e “não” com a mesma naturalidade; acolher é exercitar, diuturnamente, a compaixão frente aos naturais equívocos que fazem parte do processo de crescimento dos filhos.
O filósofo existencialista Jean-Paul Sartre lembrava que “o homem está condenado a ser livre” — ou seja, nossas escolhas têm peso e consequências. Na educação dos filhos, isso significa ensinar, desde cedo, que liberdade anda junto com responsabilidade. Não se trata de controlar a vida do outro, mas de conscientizá-lo acerca de suas escolhas, que determinarão seu caminho.
Já Santo Agostinho revela, em sua marcante citação “Ama e faze o que quiseres”, que o amor funciona como uma bússola infalível, dando ao amante discernimento, tenacidade e desprendimento bastantes para orientar, influenciar e conduzir o amado, o que, nesse caso, estabelece uma frutuosa relação entre pais e filhos.
Datas como Dia das Mães e Dia dos Pais nos lembram que educar é um chamado diário: assegurar, proteger, mas também corrigir, aconselhar, estabelecer limites e apontar direções. Isso não fragiliza os filhos, bem ao contrário, os fortalece e capacita para lidarem com a própria vida.
Desejo coragem e desprendimento para todos os pais, mas especialmente para as mamães que comemoram o seu dia.
Então, lembre-se que o lar que funciona, é quando o pai é pai, a mãe é mãe e o filho é filho.
Feliz dia das mães!



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